O uso das redes sociais, especialmente do Instagram, tem se tornado uma constante na vida de muitas pessoas. Com isso, surgem questionamentos sobre como essas plataformas impactam os relacionamentos interpessoais. Um dos fenômenos observados é que o Instagram pode estar ensinando as pessoas a abandonarem aqueles que realmente as amam. Isso se deve, em grande parte, à maneira como o algoritmo da plataforma opera, influenciando os sentimentos e as percepções dos usuários.
A dinâmica do amor contemporâneo é mediada por um “discurso sobre relacionamentos” que, muitas vezes, se revela manipulador. O algoritmo do Instagram calibra e observa as flutuações emocionais dos usuários, oferecendo conteúdos que reforçam estados de espírito, como a saudade. Isso cria uma dependência em relação ao feed de notícias, que acaba por moldar a identidade dos usuários e suas percepções sobre amor e relacionamentos. Nesse contexto, a segurança cognitiva, que permite o julgamento e o apego coexistirem, se torna cada vez mais escassa.
A falta de segurança cognitiva pode ser devastadora para os relacionamentos. Uma mente que é constantemente bombardeada por informações superficiais se torna permeável, incapaz de sustentar o amor verdadeiro. O amor exige a habilidade de lidar com a ambiguidade e o desconforto sem recorrer a interpretações externas ou acusações. Quando o excesso de informações se torna a norma, a capacidade de acolher o outro se deteriora, levando a interpretações errôneas de situações que poderiam ser resolvidas com diálogo e paciência.
Dessa forma, o algoritmo do Instagram se torna um agente letal para a intimidade. Quando um relacionamento entra em crise, o conteúdo que aparece no feed não oferece soluções ou caminhos para a reconciliação. Em vez disso, promove a ideia de que a separação é a única saída viável. Termos como “homens tóxicos” ou “trabalho emocional” inundam as redes, e o parceiro amoroso é reclassificado como um problema a ser resolvido. Essa dinâmica não apenas fragiliza os laços afetivos, mas também alimenta a insegurança.
O conceito de insegurança se torna central nessa discussão. Quando um parceiro expressa desconforto em relação a comportamentos que considera prejudiciais, essa percepção é frequentemente desvalorizada e transformada em um sinal de fraqueza ou ciúmes. O homem, por exemplo, que se sente ameaçado pela exposição de sua parceira nas redes sociais, é rotulado como inseguro, enquanto a mulher que monitora a atividade online do parceiro é vista como intuitiva e cuidadosa. Essa assimetria de percepção é um reflexo da maneira como o algoritmo molda as interações sociais.
A repetição desse padrão gera um ambiente em que a comunicação se torna cada vez mais difícil. O homem aprende a silenciar suas preocupações, enquanto a mulher se torna hipersensível a qualquer sinal de insatisfação. O resultado é uma erosão da intimidade e do respeito mútuo, levando a um ciclo vicioso de desconfiança e descontentamento. Quando um dos parceiros é continuamente invalidado, a disciplina emocional necessária para sustentar um relacionamento saudável se desintegra.
As consequências desse fenômeno são alarmantes. O amor, que deveria ser um espaço seguro e acolhedor, se transforma em uma performance pública, constantemente auditada e medida. O vínculo entre os parceiros deixa de ser um espaço interior compartilhado e passa a ser avaliado com base em padrões externos. Essa mudança de paradigma não apenas afeta a qualidade dos relacionamentos, mas também a saúde mental dos indivíduos envolvidos.
O Instagram, ao promover uma visão distorcida do amor e das relações, contribui para a formação de uma cultura de abandono. A ideia de que o término é um sinal de empoderamento, enquanto a busca por soluções e a paciência são vistas como fraqueza, cria um cenário de insegurança e desconfiança. Assim, os relacionamentos se tornam acordos provisórios, onde a vulnerabilidade é punida e a intimidade é sacrificada em nome de uma idealização do amor que não resiste à pressão do mundo digital.